
Não é à toa que doenças como síndrome de pânico, depressão, estresse se alastram pelo mundo, pois todos os dias muitas pessoas são vítimas de governos como Bush, o de Israel, Iraque, Líbano e até mesmo do nosso, que só pensa em si próprio. Temos aí o maluco do parque, o maluco do cinema e muitos outros acabando com sonhos, vidas, bens, trabalhos, anos de estudos de pessoas que procuram uma vida melhor.
“Como fazer para vivermos em paz, a preocupação de sermos vítimas da crueldade do nosso mundo, uma vez que até homens como Jesus Cristo, Ghandi e outros muito elevados espiritualmente também foram vítimas da crueldade?”
Cada um vive de acordo com o que aprendeu.
Certa vez o professor de um colégio público de periferia pediu aos alunos que representassem a Paz e a Tranqüilidade, através de um desenho. A criatividade era livre. Após algum tempo, o professor analisou atentamente cada desenho e separou um em especial.
A imagem refletia literalmente o cotidiano de seu autor, isto é, um morador de favela: assaltos, tiroteios, malucos de todo jeito, traficantes, mazelas... tudo que possa imaginar sobre a realidade atual, estava descrito naquele cenário.
A classe ficou indignada, pois o tema era “Paz e Tranqüilidade”, no entanto, aquele desenho ensejava um misto de terror e medo. Jamais se imaginou que desgraça fosse comparada com Paz; que desespero fosse comparado com Tranqüilidade.
Calmamente o professor levantou o desenho até a altura dos ombros e falou: “Estão vendo aquele poste? Conseguem ver o que tem naquele emaranhado de fios?”
Podia-se ver um pequeno ninho onde bem perto estava um pássaro observando seus ovos na mais tranqüila paz e serenidade. Isso sim é a verdadeira essência da paz e da tranqüilidade. No meio de todas as adversidades da vida, você consegue sobreviver e seguir adiante.
Bom, mas e daí? Daí é que não vamos mudar o mundo. Jesus Cristo tentou e não conseguiu. E olha que ele era filho de Deus! Imagina nós, simples mortais, ter essa pretensão. O máximo que podemos fazer – e já é o suficiente – é mudar a nós mesmos. Quando mudamos nosso mundo, mudamos tudo o que há em torno. Por isso, achar que o mundo não vale a pena, que a vida não vale a pena, que nada mais vale a pena porque algumas coisas não são como gostaríamos que fossem por causa das adversidades, é o mesmo que receber um lote de terras de herança e não construir nada nele, só porque um pedaço está coberto de ervas daninhas.
Acho, por exemplo, uma grande falta de atenção Deus ter criado a jaca numa árvore tão alta... Por que não a fez como as melancias que crescem pelo chão? Já pensou alguém passar debaixo de um pé de jaca e ela escapa lá de cima?
Outra sacanagem é Deus ter criado o abacate com um caroço daquele tamanho! Fala sério: precisava ter a semente tão grande?
O engraçado é que ninguém me questiona quando faço esses questionamentos. Pelo contrário, até dão risadas. Mas tem gente que range os dentes só porque acho Deus um cara que demonstra seu humor através dessas criações, que Ele é um cara legal porque não castiga ninguém, e, portanto, ninguém irá padecer eternamente no inferno, só porque cometemos erros.
Bom, mas chega de tanta bobagem e vamos voltar ao que interessa.
Acho comum que exista o ódio, a raiva, o desejo de vingança e tudo que é ruim. Afinal, foi isso que aprendi desde criança. Só acho que não precisaria nada disso, ou pelo menos que não acontecesse por qualquer motivo. O homem se mata por causa de um tênis, um pedaço de terra, uma discussão boba no trânsito. E onde foi que aprendemos a ser maus e perversos, por motivos tão banais?
Eu, pelo menos, aprendi que Deus é bravo, vingativo e vai me castigar porque eu pequei – hoje não mais, é claro. Mas aprendi que ele deitou o sarrafo em Adão e Eva, abandonando-os à própria sorte, só porque experimentaram uma maçã. Imagine só: com tanta coisa boa para comer, Deus foi sacanear os dois proibindo-os de comer maçãs.
Eu como maçãs e não vejo nenhum motivo para despertar a ira de ninguém. Mas se Deus que é o Todo Poderoso, se enfurece por tamanha besteira, por que eu tiraria seu direito de ficar bravo comigo?
Se cada um entendesse, mesmo timidamente, sobre a importância de começar as mudanças em si mesmo, a maldade diminuiria gradativamente. E não é porque ela existe que se deva desistir da vida e achar que ela não vale a pena.
Aquele passarinho deve ter um ciclo de vida menor que o seu, e ninguém o ensinou sobre o que deve fazer para tornar esse ciclo feliz. Ele simplesmente vive e canta. Ele não questiona se canta porque está feliz, ou está feliz porque canta.
Tem coisas que são assim.
por: Getúlio J. Gomes